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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

João Mulato e Douradinho 24/11/11

João Mulato e Douradinho
"Na Linha Sertaneja de Música-Raiz, existe um estilo que é o mais difícil de cantar, à Moda de Viola.
Primeiro, porque as vozes têm que ter aquele sabor especial. Segundo, porque a Moda de Viola não tem ritmo, mas tem uma dinâmica em que é preciso ter o tempo certo na intuição dos compassos. Terceiro, porque toda letra das Modas de Viola têm que contar uma estória e convencer (...) Quem compra disco de Moda de Viola é o público sertanejo fiel, intelectuais, universitários e por aí afora. A harmonia é feita somente com a Viola, dispensando o Violão e, nas entradas, no meio das estrofes e final das frases, rola o recortado da Viola (...) João Mulato é quem mais se aproxima do estilão de Tião Carreiro, tanto na voz como no ponteio da Viola (...) Aproveito agora para apresentar a vocês dois dos mais autênticos cantadores de Moda de Viola: João Mulato e Douradinho. Ouçam este CD e sintam o prazer de ser Brasileiro com S. " 




(Comentário de Téo Azevedo no encarte do excelente CD "João Mulato e Douradinho - Modas de Viola Clássicas" lançado pela gravadora Pequizeiro).

O nome dessa Dupla permanece há mais de duas décadas "na Estrada", escrevendo a história da Música Caipira Raiz, não negando a boa influência recebida de muitas boas duplas do "estilão", estilo esse que João Mulato vem mantendo apesar das diversas trocas de parceiro as quais foram necessárias, por motivos diversos. Também é notável que diversos diferentes parceiros mantiveram o nome "Douradinho", com exceção apenas do Pardinho, que já possuía esse nome artístico quando cantava em dupla com o Criador e Rei do Pagode Tião Carreiro.

Nascido em Passos-MG, como Nome de Batismo Wilson Leôncio de Melo, o João Mulato, mudou-se ainda criança, juntamente com a família, para a cidade de Araçatuba-SP, por sinal, a mesma cidade onde também foi criado o também mineiro Tião Carreiro. Algum tempo depois, João Mulato trocou Araçatuba-SP pela Capital Paulista.

Foi na Paulicéia Desvairada que João Mulato conheceu o jovem violeiro Bambico, e com ele formou a primeira Dupla que recebeu o nome "João Mulato e Douradinho".
Inesquecível Violeiro, no entanto, quase nada se falou nem tão pouco se escreveu sobre Domingos Miguel dos Santos, o Bambico, nascido em Taciba – S P, no dia 22/06/1944, filho do Sr. Miguel José dos Santos e de Dona Emília Angélica de Jesus.

Vários biógrafos afirmam ser Umuarama-PR a cidade-natal do Bambico, no entanto, o Apreciador Dr. Téo Eduardo Manfredine Damasceno desfez essa dúvida e enviou-me gentilmente o Registro de Nascimento do Bambico, que ele obteve no próprio Cartorio da Cidade de Taciba-SP, que ele visitou! Muito obrigado "Cumpadre" Dr. Téo Eduardo!!!

Segundo Pedro Lemos Barbosa, o Pinho, criador e diretor da inesquecível Revista Viola Caipira, " ...seTião Carreiro é considerado o 'Pelé da Viola', Bambico foi sem dúvida o 'Garrincha dos Violeiros', tendo sido um verdadeiro artista nas artimanhas dos Ponteios". Esse jovem Violeiro foi de fundamental importância na criação do ritmo do Pagode de Viola. Além da dupla com João Mulato, Bambico também foi um grande amigo de Tião do Carro, além de ter também tocado a Viola Caipira em gravações de discos deJacó e Jacozinho e Tião Carreiro, para quem também criou diversas introduções aos seus característicos Pagodes. Seu principal trabalho foi portanto como Músico de Estúdio, com seus arranjos a acompanhamentos que deram um marcante brilho sonoro a tais gravações.

Bambico também formou dupla com Bambuê e, em "carreira-solo", gravou em 1982 o LP "Brincando com a Viola" na Chantecler (hoje Warner Music) (capa do disco à direita). Faleceu, no entanto, alguns meses depois, com apenas 38 anos de idade, de acordo com informações de seu amigo Tião do Carro. E, na foto abaixo, Bambico e Bambuê: Com Bambico, João Mulato gravou 2 LP's: "Saudade de um Amor Passado" e "Meu Reino Encantado", esse segundo disco contendo a célebre faixa-título composta por Valdemar Reis e Vicente P. Machado. Esperamos que esses LP's que são verdadeiros tesouros, não demorem a serem remasterizados e lançados em CD!

Com o falecimento repentino do Bambico, João Mulato formou dupla com outro companheiro, ou melhor, com diversos outros companheiros, conforme já foi dito, tendo gravado mais 6 LP's, mantendo o nome da dupla "João Mulato e Douradinho". Como o Apreciador pode observar, foram diferentes companheiros de dupla que tiveram o nome de Douradinho,
Na década de 1980, Tião Carreiro, já bastante doente, convidou João Mulato para fazer shows, juntamente com o Pardinho. A dupla acabou se oficializando como "João Mulato e Pardinho" em 1990, pois o Pardinho, vendo que o Tião Carreiro não tinha mais condições para gravar e viajar convidou João Mulato para formar a nova dupla a qual gravou 4 LPs, de 1990 a 1997, ano no qual o Pardinho resolveu parar de cantar, a pedido de sua família.

Com o término da carreira artística do Pardinho, João Mulato voltou a formar a(s) dupla(s) intitulada(s) "João Mulato e Douradinho", tendo gravado o disco "Ao Mestre Com Carinho" ("para nossa felicidade", lançado também em CD - foto da capa à direita), que homenageia Tião Carreiro. Destaque para "Cadeira Vazia" (João Mulato - Chicão Pereira), e diversas regravações de célebres interpretações do Criador e Rei do Pagode, tais como "O Pulo do Gato" (Lourival dos Santos - Tião Carreiro), "Amargurado" (Dino Franco - Tião Carreiro), "Preto Velho" (Jesus Belmiro - Tião Carreiro - Lourival dos Santos), "Teu Nome Tem Sete Letras" (Zé Carreiro - José Fortuna) e "Encanto da Natureza" (Luiz de Castro - Tião Carreiro). João Mulato e Douradinho, por sinal, vêm sendo considerados como sendo dos maiores representantes do autêntico estilo de Tião Carreiro e Pardinho.

João Mulato também chegou a cantar em dupla com Paraíso, o que podemos constatar na interpretação de "Vida De Peão" (Téo Azevedo - Paraíso) no CD "Téo Azevedo - Brasil com S" lançado pela inesquecível gravadora Kuarup.

Lamentavelmente, a Kuarup Discos se viu obrigada a encerrar suas atividades, no início de 2009, após mais de 30 anos de Excelente Atividade... Resta-nos a esperança de que esse Acervo Musical não seja perdido e que os respectivos CD's e DVD's sejam adquiridos por outra Gravadora/Produtora o mais breve possível, retornando assim aos catálogos de vendas...

Quero destacar também o CD "Fera Ferida" lançado em 2004 pela Atração Fonográfica, e que é um dos mais recentes trabalhos da dupla. Destaque para "Só Por Deus" (João Mulato - Vanice Carvalho), "Eu Quero Ela" (João Mulato - Roserli Barbosa) (que menciona inclusive o uso da Internet!), "Vivendo no Sertão" (João Mulato - João Miranda), "Paulista de Fibra" (João Mulato - Toninho Bauru), "Prás Bandas de Aquidauana" (João Mulato - Toninho Fernandes) (a música cujo trecho o Apreciador ouve ao acessar essa página) e "Viola Dourada" (Martins Neto - João Mulato), além da faixa-título "Fera Ferida" (João Mulato).

Conforme já foi mencionado, o grande"mistério" na dupla "João Mulato e Douradinho" é a quantidade de companheiros com os quais João Mulato já fez dupla e que adotaram esse nome. Ao que consta, foram mais de 8 músicos diferentes que cantaram juntamente com João Mulato, nos diversos LP's e CD's gravados e, com exceção do saudoso Bambico, quase nada se conhece sobre a"identidade" dos diferentes "Douradinhos"! Por outro lado, embora não conste escrito em nenhuma biografia pesquisada, podemos observar nas duas fotos abaixo que o Douradinho (na foto à esquerda) é o mesmo Zé Goiano, da excelente dupla Eli Silva e Zé Goiano (conforme podemos observar na foto à direita):
Mas, apesar de tantos diferentes Douradinhos, "João Mulato e Douradinho" é uma dupla de fundamental importância na preservação da Memória Musical da genuína Música Caipira Raiz! A dupla continua "na estrada" em diversas apresentações, aparecendo inclusive com freqüência no excelente programaViola Minha Viola que vai ao ar nas manhãs de Domingo e nas noites de Sábado na TV Cultura de São Paulo-SP, apresentado pela "Madrinha" Inezita Barroso.
Ah, sim: Uma informação recente: após as diversas duplas com os diversos Douradinhos, João Mulato formou recentemente dupla com João Carvalho, que já foi também parceiro de Ronaldo Viola. João Mulato e João Carvalho no programa Viola Minha Viola que foi ao ar no dia 21/05/2006 pela TV Cultura de São Paulo-SP.

Sergio Reis
Sérgio Bavini, Paulistano de Santana, Zona Norte da Capital Paulista, nascido em 23/06/1940, após um período cantando rock (com o pseudônimo Johnny Johnson), viveu um período de sucesso como intérprete da "Jovem Guarda".

Nessa época (1967) Tony Campelo (irmão da falecida cantora Cely Campelo, famosa intérprete da "Geração Estúpido Cupido") era produtor da gravadora Odeon; tendo gostado da voz do Serjão, convidou-o a gravar e saiu o "compacto duplo" de vinil 7BD 1121 (acima à direita), com as músicas "Coração de Papel" (Sérgio Reis), "Qual a Razão" (Sérgio Reis), "Fim de Sonho" (Sérgio Reis) e "Nuvem Branquinha" (Sérgio Reis). Após quase uma década desde as primeiras tentativas musicais em 1958, o sucesso finalmente começava a acontecer.

Tony Campelo, por sinal, foi produtor dos discos de Sérgio Reis durante 28 anos, tanto na Odeon (hoje EMI) como também na RCA (hoje BMG).

Merece destaque um fato curioso sobre a composição do "Coração de Papel" (Sérgio Reis): tendo o Serjão brigado com a namorada Ruth (que posteriormente veio a ser sua esposa), começou a escrever a letra de uma música e, desistindo da tarefa, jogou fora o pedaço de papel ("... meu coração está amassado como aquela folha de papel..." - comentaria Sérgio Reis com sua mãe, Dona Clara). Veio num instante a idéia; ele pegou o Violão e rapidamente foi composto o seu primeiro grande sucesso!

Sérgio Reis também lembra seu visual: "Terno de 'lamê dourado' com botões pretos, faixa na cintura, sapato de verniz preto com fivelona dourada, camisa de 'smocking de babadinho' e gravatinha borboleta preta".

Houve um certo esquecimento entre o "Coração de Papel" em 1967 e o "Menino da Gaita" ("El Chico D' El Armônica") (Fernando Arbex - versão: Sérgio Reis) em 1972, sendo que essa música ocupou os primeiros lugares nas paradas de sucesso, tendo sido apresentada inclusive no famoso "Globo de Ouro" (a famosa "Super Parada Mensal" da Rede Globo, na década de 1970). Causou admiração na época, no meio musical, a notável proeza de, "fazer sucesso, ser esquecido e se reerguer..."

E foi com o sucesso do "Menino da Gaita" que começaram as temporadas por diversos lugares do Interior do Brasil. Num belo dia, em Tupaciguara-MG, cidade natal da cantora Nalva Aguiar e que faz divisa com o Estado de Goiás, Sérgio Reis havia acabado seu show e, em seu lugar, o conjunto da casa (a Boate "Cafona") subiu ao palco e cantou a famosíssima composição de Teddy Vieira e Luizinho, o "Menino da Porteira". Serjão se admirou com o aplauso e com a receptividade que teve a música no lugar e "sentiu que muita coisa boa precisaria ser reavivada".

Teddy Vieira, por sinal, era diretor da Área Sertaneja da Chantecler em 1958, e havia dado bons incentivos ao iniciante Sérgio Bavini (que na época, havia decidido escolher o nome artístico de Sérgio Reis, já que Reis era o sobrenome de sua mãe, embora não tivesse sido registrado com o mesmo).

Na época do show em Tupaciguara-MG, Teddy Vieira de Azevedo (que havia sido um grande amigo do Serjão) já não estava mais neste mundo: Teddy faleceu tragicamente em 1965 num acidente de carro próximo à Itapetininga-SP, quando faltava apenas uma semana para completar 43 anos. E, naquele momento, seu "Menino da Porteira" renascia numa circunstância totalmente inusitada...

Não deu outra: na noite seguinte incluiu no show "Menino da Porteira" (Teddy Vieira - Luizinho) e, na terceira noite, incluiu também "João de Barro" (Teddy Vieira - Muybo César Cury), a qual foi bastante aplaudida e "bisada" quatro vezes!! A decisão estava tomada... Não havia dúvida!! A "Estrada de Ouro Fino" seria seu caminho a partir daquele momento!

Em 1973, com a gravação da Célebre "Menino da Porteira" (Teddy Vieira - Luizinho), Serjão mudou radicalmente seu estilo, "para nossa felicidade", e passou a interpretar a Música Caipira, tendo inovado na instrumentação, sem ter descaracterizado a essência desse Gênero Musical. Também "mudou o visual", passando a usar inclusive o famoso chapéu de cowboy. Tony Campelo inclusive, deu o incentivo:"Ô Grandão: agora você vai ter que assumir, de vez, essa sua pinta de vaqueiro texano..."

Os "modelitos de lamê" foram, portanto, trocados pelos chapéus e botas de cowboy e Serjão "tirou finalmente o berrante do armário" (Serjão já tinha ganho um berrante de um amigo - Gilberto Roque - de Tabatinga-SP em 1971). Sérgio Reis hoje tem "coleção de berrantes", das viagens pelo Brasil afora...

Aliás, por causa do chapelão de cowboy americano, Sérgio Reis chegou a ser barrado no "Som Brasil" (na Rede Globo, aos Domingos pela manhã, no início da década de 1980), já que o programa apresentado porRolando Boldrin valorizava bastante as tradições regionais, as conversas de "cumpadi", a Boa Música Raiz, e, conseqüentemente, não admitia o uso de play-back nem guitarra.

E pensar que Tony Campelo já havia desejado antes que um "artista jovem" pudesse defender a Música Sertaneja ("já ameaçada de extinção", naquela época...), pois achava que, dessa forma, ela se renovaria, e ampliaria seu público. Tony Campelo havia inclusive sugerido a Deni e Dino, famosa dupla da Jovem Guarda, que aderissem ao estilo, o que a eles não interessou. "Olha só o que perderam, Nossa Senhora!"... foi o comentário de Sérgio Reis!

Graças ao Serjão e ao "Menino da Porteira", grandes compositores como Teddy Vieira, Anacleto Rosas Jr.,Angelino de Oliveira, Raul Torres e muitos outros também puderam ser conhecidos por novas gerações de apreciadores, através de novas gravações de suas obras primas!

Eu, particularmente, devo ao "Serjão" o meu gosto pela Música Caipira, já que durante minha adolescência nos anos 70 foi que conheci, na voz dele, novas gravações de páginas imortais do repertório Caipira Raiz como por exemplo "Menino da Porteira" (Teddy Vieira - Luizinho), "João de Barro" (Teddy Vieira - Muibo César Cury) e "Mágoa de Boiadeiro" (Índio Vago - Nonô Basílio). Alguns anos depois, passei a me interessar em ouvir as mesmas páginas musicais em suas interpretações originais e, foi crescendo cada vez mais meu gosto pela Música Caipira Raiz! Na época, estava no auge do sucesso o famoso Programa do Zé Béttio na Rádio Record de São Paulo-SP.

À esquerda, a capa do LP lançado em 1973 (ao que consta, só no Vinil; não encontrei o mesmo em CD), o qual contém diversas músicas ainda no estilo "Jovem Guarda", e também a célebre "Menino da Porteira" (Teddy Vieira - Luizinho); esse disco foi, portanto, o "marco decisivo" na brilhante carreira de Sérgio Reis, quando ele passou a ser grande defensor da nossa Boa Música Caipira.

A Cidade de Ouro Fino-MG, por sinal, no mês de Março de 2001, comemorando seus 252 anos, inaugurou a "Estátua do Menino da Porteira", em cuja solenidade Sérgio Reis foi homenageado, tendo colocado sua mão no Monumento, deixando desse modo sua "Marca Eternizada" na cidade, a qual seus moradores consideram que a mesma é conhecida em todo o Brasil, graças a existência do "Serjão" que gravou e fez bastante sucesso com a célebre música de Teddy Vieira e Luizinho. Na foto abaixo, a placa comemorativa, a mão e o autógrafo do Serjão!
Em 1975 o LP "Saudade da Minha Terra" trazia uma verdadeira coletânea que se constituía do "melhor do melhor" dos Clássicos Caipiras: "Rio de Lágrimas" (Tião Carreiro - Lourival dos Santos - Piraci), "Chalana" (Mário Zan - Arlindo Pinto), "Pingo d' Água" (João Pacífico - Raul Torres), "Chico Mineiro" (Tonico - Francisco Ribeiro), "Tristezas do Jeca" (Angelino de Oliveira), "Coração de Luto" (Teixeirinha), "Cavalo Preto" (Anacleto Rosas Jr.), "Pé de Cedro" (Zacarias Mourão - Goiá) e também a faixa título "Saudade da Minha Terra" (Goiá - Belmonte), entre outras. A excelente vendagem rendeu ao Serjão um "Disco de Ouro"!!

“Sérgio Reis foi também o primeiro intérprete de Música Sertaneja que conseguiu vencer mais um preconceito, conseguindo que sua música passasse a ser tocada também nas emissoras FM, deixando de ficar restrita somente às AM's. Ao que consta "Menino da Porteira" (Teddy Vieira - Luizinho) foi a primeira Música Caipira a ser tocada numa emissora FM, e isso se deu no Interior de São Paulo.


Na TV, Serjão já participou de três novelas: "Paraíso" em 1982, na Rede Globo; "Pantanal" em 1990 na extinta TV Manchete; "O Rei do Gado" em 1997 na Rede Globo – onde Sérgio Reis, juntamente com Almir Sater interpretou a dupla fictícia "Pirilampo e Saracura" No cinema foram três filmes de grande sucesso: “O Menino da Porteira” (1976), sob a direção de Jeremias Moreira Filho; “Mágoa de Boiadeiro” (1978), de Venceslau M. Silva; e “O Filho Adotivo” (1982), de Deni Cavalcante.

Sérgio Reis gravou mais de 40 LPs e CDs atingindo a vendagem de 16 milhões de cópias. Violas, Sanfonas, Berrantes, Guitarras, Teclados Modernos, Violinos, Gaitas, Bateria e Percussão fazem parte da instrumentação e da fórmula para o seu sucesso. Como já foi mencionado, Sérgio Reis inovou na instrumentação, "aumentou a potência sonora", sem no entanto descaracterizar a Música Caipira. Nos shows de Serjão seu enorme berrante pode ser ouvido por dezenas de milhares de pessoas, graças a todo aparato eletrônico de que dispõe, equiparados em potência aos equipamentos das "bandas de rock". Sem dúvida, o som longo e triste do berrante, emociona o enorme público que comparece em massa aos shows de Sérgio Reis, que menciona quea despeito de toda a parafernália de sua banda, não deixou de ser aquele boiadeirão que conhece as velhas trilhas de pé de serra, povoadas por cabeças de boi, meninos das porteiras, caboclas terezas e jecas tristes.

Serjão também complementa: "Sou sertanejo, sou romântico, sou popular, sou tudo. Não posso é subir num palco com duas violinhas - quem iria me ouvir?"

E, também como Empresário, Sérgio Reis dirige seu empreendimento, a "Sérgio Reis Produções e Promoções Artísticas", empresa com cerca de 70 funcionários, no bairro de Santana, onde nasceu e onde mora atualmente com sua esposa e seus dois filhos. E também administra duas fazendas de gado, no Interior Paulista e no Estado de Goiás. Serjão gosta da estrada... dos shows... dos empreendimentos... "ao contrário do "Amigo Pantaneiro" Almir Sater que prefere ficar em sua fazenda no Pantanal, tocar sua viola, cuidar dos seus bois, só trabalhando quando precisa de dinheiro", como nos conta o próprio Sérgio Reis.

É notável como que, num mercado altamente voraz, que não quer saber de artistas que não alcancem metas de altíssimos lucros, Serjão "continua mantendo o touro bem preso no laço", apostando no público "híbrido", por assim dizer, que tanto gosta do som da viola, como também dos teclados, e também dos vaqueiros em suas picapes importadas, e que gosta dos rodeios do interior, onde se ouvem ritmos texanos... rodeios esses que mobilizam milhares de pessoas o ano inteiro em cidades do Interior de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. É o filão principal do Serjão que chegou inclusive a montar uma estrutura capaz de levá-lo a cerca de 15 diferentes cidades por mês!

Aliás, como bem definiu Rosa Nepomuceno, em seu livro "Música Caipira - Da Roça ao Rodeio", na página 361: "Sérgio Reis: O Berrante Amplificado do Rei do Gado".



















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