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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Rolando Boldrim 24/11/11

Rolando Boldrin
Rolando Boldrin: Este é o nome completo e também o nome artístico deste excelente “cantadô”, como ele mesmo se define!
Paulista da Velha Mogiana, o sétimo de 12 meninos e meninas, Rolando nasceu em 22/10/1936 em São Joaquim da Barra no interior de São Paulo.
Com apenas dois anos, mudou-se, junto com os pais, Seu Amadeu e Dona Alzira, para Guairá, na mesma região, e foi nessa cidade que Rolando começou a cantar algumas Modas de Viola, Toadas e Canções com seu irmão Leili Boldrin, dois anos mais velho.


A dupla (foto à direita) chegou a fazer algumas apresentações com o nome “Boy e Formiga”: Boy foi o apelido que o próprio pai colocou no filho Rolando, dada sua paixão pelos filmes de “cowboys” americanos da época: como Boy era loiro, o apelido "combinou"; e Leili recebeu o apelido de Formiga também da própria família, de tão miudinho que era quando nasceu...
E o repertório de Boy e Formiga era "escolhido a dedo": entre diversos clássicos, as "pérolas" de Raul Torres e João Pacífico tais como "Pingo d' Água", "Chico Mulato" e "Cabocla Tereza".
Leili Boldrin atualmente se dedica ao comércio e ainda tem o apelido de Formia. No LP "Violeiro" (também lançado em CD) de 1982, Rolando e Leili Boldrin (ou "Boy e Formiga") relembraram os tempos da dupla e gravaram juntos a toada "Felicidade" (Barreto - Barroso).
Rolando Boldrin também chegou a assistir ao nosso grande Cornélio Pires, em suas apresentações pelas diversas cidades do Interior, o que com certeza influenciou bastante na Cultura e no Gosto Musical do nosso "cantadô" de São Joaquim da Barra-SP.
Algum tempo depois, Rolando Boldin contava 16 anos e, por conta própria, decidiu “arribá” sozinho prá "Capitar": São Paulo da Garoa... Na Paulicéia Desvairada, foi sapateiro, garçon, auxiliar de armazém e frentista. E, por exigência da idade, prestou o Serviço Militar em Quitaúna, no mesmo ano do suicídio de Getúlio Vargas.
Quando deu baixa do Quartel, saiu determinado a seguir a carreira artística, pois já tinha a experiência de “cantadô” inato e “contadô” de causos e, com a Viola e o Violão, já havia experimentado “um pouco de tudo”, das Modas de Viola da época aos Sambas e Canções dos cantores e conjuntos mais famosos que ouvia no rádio: Vicente Celestino, Francisco Alves (o famoso "Chico Viola, como também era conhecido), Orlando Silva, Carmen Miranda, Noel Rosa, Bando da Lua, etc. Na Música Caipira, ouvia Jararaca e Ratinho e Alvarenga e Ranchinho, entre outros e, como diz o próprio Rolando Boldrin, “...muito rádio ... muito rádio e alto-falantes das pracinhas interioranas...”
Seguiram-se então os testes em diversas rádios paulistanas como a Rádio São Paulo, Rádio Record, até chegar à Rádio Tupi que já possuía inclusive uma pequena experiência com os primeiros anos de transmissão televisiva no Brasil (a qual havia se iniciado em 1950). Era 1958, ano em que Rolando Boldrin completava 22 anos. E, finalmente, o primeiro contrato para atuar como ator de TV e Rádio. “...Até que enfim, acreditaram que aquele "Capiau" magrela e desajeitado poderia ser um artista de verdade...” nas palavras do próprio Rolando Boldrin!
Foi nos anos 60 que estreou em gravações; trabalhou inclusive com Lurdinha Pereira, que veio a ser sua esposa. Após alguns anos como ator em novelas, e sempre acompanhando Lurdinha Pereira que também era cantora e gravara alguns discos na época, numa dessas gravações no estúdio, foi pedido para que ele também “soltasse a voz”... Era o Palmeira, que em 1961 era produtor na gravadora Chantecler e tal acontecimento teve lugar quando da gravação da música "Do Que Eu Gosto Mais" de sua autoria, que seria gravada por Lurdinha, no entanto, acabou sendo gravada em dueto com seu marido. Tímido de início, Rolando alegou que "não cantava, era só compositor...", mas, com a insistência de Palmeira, o disco em dueto foi gravado. E, a partir daí, começou a traçar um novo caminho em sua vida! E os primeiros discos de Genuína Música Brasileira começaram a ser gravados com sua voz tão característica!
Depois de ter gravado mais alguns discos em duo com Lurdinha, em 1974 Rolando Boldrin gravou seu primeiro LP solo: "O Cantadô". O título foi escolhido pelo próprio Rolando Boldrin, pois é "como ele gosta de ser chamado", já que "não possui compromisso com a voz, nem com a forma de cantar, mas somente com a maneira de emocionar...". Para Rolando, Elomar é o maior cantador do Brasil. Mílton Nascimento também é um cantador em sua concepção. Cantor, Rolando cita como exemplo Cauby Peixoto e Djavan, de acordo com entrevista concedida à Rosa Nepomuceno em Janeiro de 1999 quando ela escrevia o excelente livro "Música Caipira - Da Roça ao Rodeio" - página 354.
De 1981 a 1984 apresentou na Rede Globo aos Domingos pela manhã o inesquecível programa “Som Brasil” que resgatou e reergueu muita gente importante já esquecida no nosso cancioneiro, como por exemplo o Ranchinho que fazia dupla com Alvarenga (que havia falecido em 1978), que cantava e contava causos; Zé Coco do Riachão com sua Viola; João Pacífico, que declamava seus poemas com sua voz e sotaque tão característicos. Também foi graças ao “Som Brasil” que se tornaram conhecidos Pena Branca e o falecidoXavantinho (foto acima e à esquerda). O segundo CD de Pena Branca & Xavantinho ("Uma Dupla Brasileira") também foi produzido por Rolando Boldrin. Realmente "... a Globo tinha preconceito contra os Sertanejos e quem quebrou esse preconceito foi Rolando Boldrin..." de acordo com suas próprias palavras em entrevista à Rosa Nepomuceno no Livro "Música Caipira - Da Roça ao Rodeio" - pág. 352. E, com o sonho de apresentar o "Som Genuinamente Brasileiro" no “horário nobre”, Rolando Boldrin teve alguns desentendimentos com a emissora de Roberto Marinho e, em 1984 apresentou o “Empório Brasileiro”, também excelente programa nas noites de Terça-Feira na Rede Bandeirantes. E, por um curto período de tempo, apresentou também “Empório Brasil” no SBT.
Clique Aqui e ouça "Vide Vida Marvada" (Rolando Boldrin) interpretada pelo autor, no site do MPB-NET. Essa gravação é o tema que era tocado na abertura do inesquecível Programa "Som Brasil".
Era marca registrada dos programas de Rolando Boldrin apresentar nossos valores autênticos. Seus programas valorizavam as tradições regionais, as conversas de "cumpadi", a Boa Música Raiz, e, conseqüentemente, não admitia o uso de “play-back” nem guitarra. A idéia era "não cantar sucessos", mas somente música de inspiração regionalista. Também nada de glamour”, do contrário, Boldrin queria que a pessoa fosse ao programa com naturalidade e simplicidade, vestido como andava na rua, sem nenhum "figurino especial". “Se andasse na rua, normalmente de chinelo, tudo bem, mas que não fosse “todo produzido” ao seu programa... “. Aliás, por causa do “chapelão de cowboy americano”, Sérgio Reis chegou a ser barrado no "Som Brasil" conforme já foi mencionado na página que dediquei ao Serjão neste site.
O importante é que, para nossa felicidade e de todos os que defendem Nossas Raízes, Rolando Boldrin não perde de vista "o palquinho de Cornélio Pires" que ele um dia havia conhecido com seus 11 anos de idade em São Joaquim da Barra! Não importa o quanto a TV tenha mudado, e o quanto nossa Música Regional possa "perder pontos" para os ditos "rappers", "pagodeiros" e "pop-sertanejos" (também chamados por alguns de "breganejos" e "sertanojos"). Rolando Boldrin se mantém firme, defendendo as Raízes, a exemplo de Inezita Barroso, que é excelente batalhadora e se mantém no mercado e apresenta com bastante qualidade o "Viola Minha Viola" na TV Cultura de São Paulo-SP. Aliás, não posso deixar de mencionar textualmente um comentário de Rolando Boldrin sobre nossa grande Inezita Barroso que "...sabe das coisas muito mais que eu, que sou autodidata. Tem cultura, é uma estudiosa. Eu só sei falar daquilo que aprendi vivendo..." (página 359 do livro de Rosa Nepomuceno: "Música Caipira - Da Roça ao Rodeio").
Para Boldrin, é nas Minas Gerais que se encontra "o mais rico celeiro" de músicos que realmente valorizam a Cultura Rural e cita como exemplo os irmãos Pena Branca e Xavantinho da região de Uberlândia-MG e também o Solista de Viola Renato Andrade, além do cantador Tadeu Franco e do compositor Paulinho Pedra Azul.
E, para nossa felicidade, Rolando Boldrin está apresentando o excelente programa Sr. Brasil, que vai ao ar nas noites de Terça-Feira, com reprise nas tardes de Domingo pela TV Cultura de São Paulo-SP. Desde 1981, quando Rolando Boldrin começou a contar seus "causos" durante três anos no inesquecível "Som Brasil" nas manhãs de Domingo na Globo, seguido pelo "Empório Brasileiro" na Bandeirantes em 1984, "Empório Brasil" no SBT em 1989 e "Estação Brasil" na TV Gazeta em 1997, o "Cantadô" voltou às telas da TV após sete anos! De acordo com o próprio Rolando Boldrin, Sr. Brasil éum programa vasto, aberto e receptivo. Vamos mostrar os ritmos e temas regionais brasileiros que a maior parte do Brasil não tem oportunidade de conhecer. Serão mostradas todas as manifestações regionais. A única obrigatoriedade é que tudo seja genuinamente nacional".
Quero aqui destacar a coletânea de 8 CD's intitulada "Vamos Tirar o Brasil da Gaveta", lançada em 2004 pelaInter CD Records, distribuída pela inesquecível Kuarup Discos e que nos apresenta uma belíssima criatividade na forma de "gaveta" que armazena um excelente resgate incluindo diversas obras musicais, muitas das quais ainda não haviam sido remasterizadas em CD.
Lamentavelmente, a Kuarup Discos se viu obrigada a encerrar suas atividades, no início de 2009, após mais de 30 anos de Excelente Atividade... Resta-nos a esperança de que esse Acervo Musical não seja perdido e que os respectivos CD's e DVD's sejam adquiridos por outra Gravadora/Produtora o mais breve possível, retornando assim aos catálogos de vendas...
Nos 5 primeiros CD's foram selecionadas diversas Canções, Toadas, Modas De Viola e Cateretês, enfim diversos ritmos autênticos do nosso riquíssimo repertório Caipira Raiz, incluindo participações especiais de Formiga (o irmão Leili Boldrin), e também da esposa Lurdinha Pereira, além de Corumba, Barreto, Ranchinho, Briozo, Bentinho, Cascatinha e Jair Rodrigues!
Nos CD's Nºs. 6 e 7, autênticos Sambas Urbanos, de renomados autores tais como Ary Barroso, Assis Valente, Alcebíades Nogueira (Bide), Wilson Batista, Pedro Caetano, Alcyr Pires Vermelho, Noel Rosa, Herivelto Martins, Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, apenas para citar alguns! E Rolando Boldrin vocalizou alguns Sambas juntamente com Luizinho, Paulinho, Magoo e Ricardo, o que nos faz reviver famosos conjuntos vocais, tais como "Quatro Ases E Um Coringa", "Bando Da Lua", "Anjos Do Inferno", "Vocalistas Tropicais" e "Diabos Do Céu".
E, no CD Nº. 8, as famosas declamações que nos recordam o inesquecível programa "Som Brasil" que ia ao ar nas manhãs de Domingo pela Rede Globo em 1981! São poemas de Nhô Bento, Abílio Victor, Lulu Benencase e muitos outros que souberam valorizar a nossa Poesia Caipira!!
Enfim, temos nessa coletânea uma amostra bastante representativa do artista que, durante 40 anos, preocupou-se em selecionar para o seu repertório de "Cantadô" e Declamador Popular o que existe de mais representativo em nossa Cultura, consciente de que toda a riqueza da nossa Música, seja ela "cantada ou tocada", levando em conta a grande diversidade de ritmos e temas que possui representando os Estados e seu povo, jamais, em tempo algum fora explorada com justiça nas suas mais legítimas formas de expressão!
O "Canário Brasileiro" é um belíssimo trabalho artístico de Alfredo Quinino! O trabalho fotográfico é de Pierre Yves Refalo!
Rolando Boldrin também gravou o excelente "Disco da Moda" e também participa da coletânea "Caipiríssimo", CDs também lançados e distribuídos pela inesquecívelKuarup Discos. CD's infelizmente "fora de catálogo", devido ao encerramento das atividades da Kuarup, no início de 2009...
Quero destacar também um excelente trabalho de Rolando Boldrin, em companhia de Renato Teixeira, também lançado e distribuído pelaKuarup: Rolando e Renato gravaram juntos pela primeira vez e contam nesse CD com as participações especiais de Almir Sater, Dominguinhos, Heraldo do Monte e Paulo Sérgio Santos. Destaque para "Brasil Poeira" (Almir Sater - Renato Teixeira), "Funeral De Um Lavrador" (Chico Buarque - João Cabral de Melo Neto), "Chico Mineiro" (Tonico - Francisco Ribeiro), "Vaca Estrela E Boi Fubá" (Patativa do Assaré), além da até então inédita "Tempo Das Aves" (Rolando Boldrin), da raríssima "Três Nascentes" (João Pacífico) e também da quadrilha "Maria Bonita" (Volta Seca), composta pelo famoso "cangaceiro-compositor" que pertenceu ao bando de Lampião. CD lamentavalmente "fora de catálogo", devido ao encerramento das atividades da Kuarup...
Parabéns, Rolando Boldrin! É graças a pessoas como você que continua viva a "Alma do Brasil Cabôco"!!
Este é o nosso valiosíssimo "cantadô". Poucos como ele dão valor às coisas de Nossa Terra e Nossa Gente!

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