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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Juan e Andre

Juan e Andre
Release
Release - Por Sonia Carvalho, mãe da dupla

Meu nome é Sonia Carvalho, filha mais velha no total de quatro irmãos, fui criada em meio de rodas sertanejas, ouvindo grandes sucessos como Índia, Paineira e Chico Mineiro.

José Joaquim, meu pai, tocador de viola desde criança, tentava transmitir seus dons de músico a um de seus filhos.
Antônio mais velho de todos, mostrou ter talento para fazer a segunda voz com o papai.
Agora, José Joaquim tinha seu mais novo companheiro, formando uma dupla sertaneja.
 Na maioria das festas que tinham em nossa cidade, eles eram uma das principais atrações. Cantar e tocar na fonte luminosa eram a alegria de meu pai e o orgulho da família. Em uma fatalidade, Antônio veio a falecer.



A viola que era o instrumento mais bem cuidado por meu pai, tornou-se um objeto esquecido no canto de um quartinho escuro.
Após alguns anos, a dor da perda ainda tomava conta do coração de José Joaquim, mas a superação fez com que ele pegasse aquela viola, já velha e empenada, e a pendurasse ao lado da foto de Antônio na pequena sala de estar.

Anos se passaram e a vida continuava dura, mas honesta. Todos os filhos do casal José Joaquim e Maria se casaram e a família ia crescendo conforme manda a lei da natureza.

Encontrei o grande amor da minha vida e com ele tive meus maiores tesouros: Jerônimo, Bárbara e José André.
Mais uma vez, a vida me pregou uma peça.
Meu príncipe encantado morreu depois de sete anos de matrimônio.
Foi como o chão se abrisse e nele minha vida, caia-se abaixo.
Meu pai já envelhecido e adoentado pediu que eu fosse morar em uma das casas que tinha na sua propriedade para que ele ficasse mais perto dos netos que tanto o animava.
Como uma agradável surpresa, André, meu filho caçula, ainda uma criancinha, viu aquela viola na parede, pendurada há muito tempo, dizendo ao avô: vovô me dá essa viola?
Com os olhos brilhantes e um sorriso no canto da boca, meu pai, levantou da cadeira, pegou-a e entregou em suas pequenas mãos e muito emocionado disse: ela era para você mesmo, estava aqui todo esse tempo te esperando.

Desde ai, uma nova etapa se iniciou. Todos os dias pelas tardes, meu menino sentava-se com a viola à mesa e já dedilhava pequenos trechos sertanejos. Papai vendo que meu filho tinha jeito para música começou a ensiná-lo a tocar viola, depois que ele voltava da escola.
Meu filho mostrava um enorme talento e dedicação à música, se esmerando cada dia mais, como músico.
Da viola para o violão, do violão para a guitarra, da guitarra para a bateria, da bateria para o teclado.
O amor pelos instrumentos musicais crescia a cada dia que se passava.
Em um pedaço de papel, rascunho de pequenas músicas nasceu à primeira canção: Pode durar a vida inteira.

Em novas formações de bandas, André participava da triagem e sempre ganhava espaço para mostrar sua voz e habilidade com o violão. Bandas de rock e música pop faziam parte de sua rotina.
Sua presença era exigida nas festas de família como também o show que dava junto ao seu avô com a bela e velha viola.
Era um misto de repertórios que agradavam a todos, pois uns gostavam mais de sertanejo, outros rock e pop. A festa estava garantida quando André aparecia.

Em um de seus ensaios, ele conheceu Marcos que se tornou um grande amigo, resolveram formar uma dupla sertaneja.
Essa parceria durou um ano, pois compromissos familiares não deixaram que a dupla permanecesse unida.

Para escrever esse parágrafo, sinto uma dor tremenda em meu coração, afinal esse trecho foi à parte mais triste que pude presenciar em minha vida apesar de ter passado por tantas outras nessa minha jornada.
Meu querido pai partiu para o reino dos céus, deixando a família desestruturada e muito triste.
Não havia mais motivo de reunir a família pra um simples café.

Não havia mais a vontade de fazer das festas familiares, um acontecimento. André abandonou a viola e prometeu nunca mais tocá-la.

Via nos olhos de meu filho a tristeza tomando conta. André trocou seus instrumentos pelo trabalho como bancário.
A pressão profissional, metas e responsabilidades em me ajudar com o sustento da casa eram sua maior preocupação.
Não via mais meu filho esbanjar seu talento com sua voz e violão. E assim alguns anos foram acabando e outros chegando.

As nossas noites eram sempre as mesmas, meus filhos chegando do trabalho e a janta pronta para ser servida.
Minha mãe sempre me ajudava a cuidar de meus filhos. Eles adoravam o arroz branco fresquinho que sua avozinha Maria fazia com muito amor. Numa dessas noites, André já estava em casa junto de sua irmã, Barbara. Estávamos esperando Jerônimo para o jantar. Depois de alguns minutos, ele apareceu muito feliz.
Beijou-nos como sempre fazia e o "cheirinho", forma de carinho conhecida pela família, era distribuída.
Jerônimo sempre foi um menino carinhoso e muito educado.
Percebia-se um menino de olhar triste.
 Por ser o filho mais velho, ele presenciou o meu sofrimento ao ficar viúva. Com isso, ele naturalmente se colocou como o homem da casa, se responsabilizando pelo cuidado de seus irmãos mais novos.
Sua personalidade é considerada bem diferente de seus outros irmãos. Meigo e atencioso, ele é o xodó dos tios e tias.
Enquanto Jerônimo tomava seu banho antes do jantar, André navegava na internet e Bárbara estudava para prova. Uma canção soava pelos cômodos da casa.
Nossos olhares se encontraram como uma grande surpresa.
Veio então a minha pergunta: É o Jê que está cantando essa música? Minha filha respondeu com o sorriso de orelha a orelha: É sim, mãezinha! Esperamos que ele sentasse a mesa e pedimos para repetir a canção.
Ele envergonhado e tímido, não queria fazer novamente. Com muita insistência de André e Bárbara, soltou a voz e mais uma vez fomos surpreendidos.
Nasceu agora uma nova estrela.

A idéia de fazer uma dupla sertaneja com Jerônimo surgiu quando André foi convidado a tocar numa festa da empresa no qual era colaborador.
Um amigo de muito tempo, que trabalhava junto no banco incentivou a nova formação, chamando outros amigos para integrar a banda.

Os ensaios se tornaram constantes a partir desse momento. Novas composições apareciam quando sentávamos à mesa para o jantar: 25 horas de amor, Um olhar talvez e Linda.
Nesta última pude participar com algumas estrofes.

Ser mãe é algo indescritível, principalmente quando se tem filhos que só te dão orgulho.
 Várias vezes me pego pensando no que já vivi. É como se passasse um filme em minha mente.
Minha vida foi muito sofrida principalmente quando se está sozinha e com três filhos pequenos.
Hoje, vejo-os adultos, mas como para qualquer mãe, eles serão sempre bebês.
Só tenho a agradecer a Deus pela família unida que pude construir.
Eles são irmãos de verdade, daqueles que não brigam e lutam pela felicidade um do outro.
Isso é um motivo que me faz com que tenha cada vez mais, força para viver.

Juan & André é o nome da dupla. Perguntava o porquê de Juan e a resposta era sábia: por ser mais comercial, mãe – dizia André. Por conhecer meus filhos só de olhar em seus olhos, sabia que André por ser possuidor de atitudes arrojadas e por adorar desafios, não havia argumento que o fizesse mudar de opinião.

Ensaios, ensaios e mais ensaios. De dia, de tarde e de noite. Vida de artista nunca foi fácil e fazer parte dessa rotina maluca me fazia feliz por mais difícil que fosse.
Sou daquelas mães que mima seus filhotes. Falar com toda boca sobre meus queridos era o meu hobby predileto.

A sorte sempre esteve ao lado de minha família. Na verdade, isso só poderia ser obra divina. Novas oportunidades vinham atrás de meus meninos. Um empresário da área da música gostou da dupla e os convidou para a gravação do CD.
Êxtase total, felicidade e alegria. Essa era a oportunidade que os meus meninos tinham para o sucesso.

CD pronto, fotos e repertório para show na ponta da língua e Juan & André colocaram os pés nas estradas desse Brasil buscando reconhecimento profissional fazendo o que amam.

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